Eleições em México

O Instituto Simón Bolívar para a Paz e a Solidariedade entre os Povos enviou uma missão de acompanhamento eleitoral a Cidade do México para as eleições intermediárias de 6 de junho. O Instituto Simón Bolívar parabeniza ao povo de México pela importante demonstração de compromisso com a democracia durante as eleições mais grandes do México, com mais de 20 mil cargos em jogo, incluídos os 500 membros da Câmara de Deputados, 15 governadores e os 16 prefeitos da Cidade do México.

Estas eleições ocorreram na metade do mandato do presidente Andrés Manuel López Obrador (AMLO), o que levou aos grandes meios de comunicação a retratar-las como uma prova da aprovação geral do presidente, de seu partido e de seu projeto de Quarta Transformação. Também foi a primeira eleição no México desde o começo da pandemia COVID-19. O presidente do AMLO chamou a população a expressar -se democraticamente, e o povo respondeu favoravelmente com uma taxa de participação de 52,6%, acima da média das eleições intermediárias.

Carmen Navas, Directora Ejecutiva del ISB visita casilla electoral en Puebla, México, durante las Elecciones Intermedias del 6 de junio de 2021.
Carmen Navas, Directora Ejecutiva del ISB visita casilla electoral en Puebla, México, durante las Elecciones Intermedias del 6 de junio de 2021.

Os problemas históricos e estruturais fizeram com que estas eleições fossem um desafio. Durante a campanha foram assassinados 91 candidatos e se presume que grande parte da violência vem de delitos relacionados com o narcotráfico. Também estiveram presentes outros problemas, comuns em eleições anteriores, como a compra de votos e outras irregularidades que podem ser comuns nos sistemas de votação manual quando nenhum organismo de segurança está resguardando as urnas de votação. Apesar de todos esses desafios, a alta participação de eleitores mostra que México entrou em um caminho de renovação democrática e que a maioria dos eleitores mexicanos se sentiram motivados a participar.

Por outro lado, também houve avanços importantes como uma maior paridade de gênero. De fato, México agora terá o maior número de governadoras da sua história depois de que 6 das 15 disputas foram ganhadas por mulheres. Assim mesmo, os deputados eleitos quase conseguiram a paridade com a eleições de 146 mulheres e 153 homens, enquanto que a metade dos prefeitos da Cidade do México também serão mulheres. Ademais, as representantes indígenas também aumentaram de 3 a 12. Finalmente, também vale a pena destacar que cerca de 12 mil mexicanos no exterior também puderam dar seu voto.
Também houve tentativas de intervenção estrangeira nas eleições. Particularmente, a Organização dos Estados Americanos (OEA) destacou -se com seu secretário geral, Luis Almagro, mais uma vez, sem um mandato político dos Estados que supostamente representa, se viu envolvido em um ataque ao governo. Um grande número de países e organismos internacionais criticaram as ações de Almagro, incluída a ALBA-TCP.

Mujer deposita boleta electoral durante Elecciones Intermedias en Puebla, México. 6 de junio de 2021.
Mujer deposita boleta electoral durante Elecciones Intermedias en Puebla, México. 6 de junio de 2021.

Os resultados deram uma importante vitória ao projeto da Quarta Transformação liderado pelo AMLO e Morena. Junto a seus aliados, o Partido Trabalhista (PT) e o Partido Verde Ecologista do México (PVEM), obtiveram a maioria das cadeiras na Câmara de Deputados, o suficiente para permitir-lhes aprovar legislações importantes como orçamentos, e ficaram muito próximos da maioria de 2/3 necessário para aprovar as reformas constitucionais. Além disso, Morena e seus aliados também ganharam 12 das 15 disputas para governadores em jogo.
Morena enfrentou um importante derrota na Cidade do México, onde não ganhou nem a metade das prefeituras. Além disso, um acidente importante no metrô há uns meses teve um impacto negativo para as atuais autoridades da cidade. Portanto, se fez mais visível durante a campanha os partidos tradicionais de direita, o Partido Revolucionário Institucional (PRI) e o Partido Ação Nacional (PAN), se aliaram com o Partido da Revolução Democrática (PRD) e em sua maioria realizaram uma campanha sob a bandeira contra o Morena e contra o AMLO.

Conteo de votos al cierre de una Casilla Electoral en Puebla, México, durante las Elecciones Intermedias del 6 de junio de 2021.
Conteo de votos al cierre de una Casilla Electoral en Puebla, México, durante las Elecciones Intermedias del 6 de junio de 2021.

Um Congresso renovado e novas autoridades locais agora terão que guiar o México através de seus desafios. O dia após as eleições, a vice-presidenta dos Estados Unidos, Kamala Harris, também visitou a Cidade do México, buscando impulsionar sua política migratória. O presidente do AMLO e Morena agora tem forças renovadas para liderar seu projeto de Quarta Transformação. O presidente do AMLO também ressaltou um elemento fundamental: o apoio popular. “Mais povo, tanto povo como seja necessário”.

Isto será importante, com os movimentos sociais do México empurrando atualmente muitas lutas e exigências: um movimento feminista forte exige o fim dos feminicídios; grande número de campanhas reclamam a volta dos desaparecidos e a defesa dos direitos humanos; os sindicatos de professores vem se mobilizando em todo o país a favor de um novo programa educativo e a defesa dos direitos dos estudantes; os movimentos pelo direito a moradia estão enfrentando a gentrificação; e muitos mais que tem estado em constante insurreição contra o neoliberalismo e que como Emiliano Zapata, prefeririam “morrer de pé do que viver ajoelhado”.

Mujer saluda mostrando dedo pulgar marcado con tinta luego de votar en Puebla, México, durante las Elecciones Intermedias del 6 de junio de 2021.
Mujer saluda mostrando dedo pulgar marcado con tinta luego de votar en Puebla, México, durante las Elecciones Intermedias del 6 de junio de 2021.

Editorial Semanal: Carabobo 200

Este junho, comemoramos 200 anos de aniversário da Batalha de Carabobo. Enquanto vivemos uma pandemia e um bloqueio mais violento e criminoso na história de Venezuela, também estaremos dando as boas vindas a amigos e aliados da Revolução Bolivariana para a comemoração. Não é uma data de um passado distante senão o amanhecer de um novo horizonte para o socialismo venezuelano e a urgente luta que toda a humanidade deve enfrentar para superar o atual modelo de exploração.

A Batalha de Carabobo se havia ganhado inclusive antes de que começará. A vitória não foi uma surpresa, foi resultado de um processo iniciado anos antes, que combinou a determinação de um povo em obter sua liberdade política coletiva e sua emancipação. Contou com o gênio e o desprendimento de Simón Bolívar como líder revolucionário que preparou as condições para uma vitória que tornaria  irreversível a independência da América do Sul.

As lições seguem sendo as mesmas. A unidade de todas as forças comprometidas com a emancipação é fundamental. O compromisso e a ética revolucionária são fundamentais. A unidade da classe trabalhadora em todo o mundo é chave para forjar um novo futuro e uma nova sociedade. Damos as boas vindas ao bicentenário da Batalha de Carabobo e damos as boas vindas ao nosso novo horizonte.

Notas:

•             O mundo lamentou o falecimento de Yuan Longping, o científico chinês que desenvolveu o arroz híbrido. Motivado pela luta contra a fome, depois de ajudar milhões de pessoas a superar a fome em China, formou a mais de 14 mil técnicos em 80 países. Quando surgiu a notícia de seu falecimento, milhares de pessoas na Província de Hunan saíram as ruas para homenagear a Yuan.

•             Os brasileiros saíram às ruas nesse dia 29 de maio, convocados pelas Frente Brasil Popular e da Frente Povo Sem Medo, protestando contra Bolsonaro e exigindo vacinas para todo o Brasil. Milhares de manifestantes encheram as ruas das 27 capitais e de mais outras 100 cidades nesse protesto nacional. Os brasileiros também exigiram recursos do Estado para ajudar as famílias trabalhadoras e se colocaram contra ao que descrevem  como uma política negligente no combate ao COVID-19, que equivale a um genocídio.

•             Um ano depois do assassinato de George Floyd, o Instituto Simón Bolívar realizou uma discussão sobre o racismo ssistêmico nos Estados Unidos e Colômbia. O professor Akinyele Umoja do Movimento Malcom X Grassroots disse, “com o estado imperialista dos Estados Unidos, as comunidades negras ainda estão sujeitas à ocupação… A polícia não é vista em nossas comunidades como pessoas que protegem e servem, são vistas como instrumentos de ocupação”. Também se identificaram sinais alentadores de mudança. O professor August Nimtiz disse: “O que ocorreu a um ano foi o começo da libertação, uma libertação graças às massas; e segundo, o mais importante, foi um protesto multirracial, mais da metade dos participantes eram brancos… nunca havíamos visto isso antes”. Da mesma forma, no caso de Colômbia, Chato Mina Rojas falou dos protestos e da repressão que sofre os afro-colombianos e concluiu que “uma posição antirracista é a única que nos ajudará a desmantelar, não só o racismo mas o sistema que o sustenta, que é o capitalismo”.

•             As ruas de toda Venezuela foram tomadas por caravanas em solidaridade com Cuba nos dia 29 e 30 de maio, exigindo o fim do criminoso bloqueio imposto pelos Estados Unidos. Caracas, Maracaibo, Maracay e outras cidades de uniram e agradeceram Cuba e suas brigadas médicas, que tem estado a frente da luta  contra a pandemia global. Caracas também marchou no dia 25 de maio para defender Palestina e denúncia a mais recente agressão das forças israelenses.

•             Está semana, no 150° aniversário da queda da Comuna de Paris, o Instituto Simón Bolívar se uniu a um grupo de 27 editoriais em 15 países para publicar a Comuna 150 de Paris em 18 idiomas. O legado da Comuna de Paris sempre deve inspirar-nos a criar nossos novos horizontes, particularmente em Venezuela, onde lutamos para construir nossa sociedade comunal com justiça, solidariedade e paz.

•             Recordamos a Maurice Bishop, nascido em 29 de maio de 1944. Líder do Movimento New Jewel em Granada, derrubado pelo imperialismo em 1983. “Este é o verdadeiro significado da democracia revolucionária. É um crescimento na confiança no poder das pessoas comuns para transformar o seu país e transformar-se. É o crescimento na apreciação das pessoas que se organizam, decidem, criam juntas. É um crescimento do amor fraterno”.

Uma união cívico-militar para preservar a democracia

Com profunda dor soubemos do repentino falecimento do general Jorge Luis García Carneiro, governador do Estado La Guaira. Em 13 de abril de 2002, durante os difíceis momentos do golpe, parou-se em cima de um tanque em frente as portas do quartel de Fuerte Tiuna e falou aos milhares de venezuelanos que haviam chegado para exigir a restituição do presidente Hugo Chávez. Prometeu lealdade a Constituição Bolivariana de 1999 e ao Estado de Direito, e recordou ao povo que a sua presença ali era fundamental para manter a democracia. A unidade da Revolução Bolivariana integrada por civis e militares, entrou em ação para preservar a democracia.

García Carneiro nasceu numa família operária do setor popular de El Valle, em Caracas, e ingressou na Academia Militar em 1971, onde conheceu o presidente Hugo Chávez. Ascendeu na hierarquia e pouco depois do fracassado golpe de 2002, García Carneiro foi nomeado ministro de Defesa. Também serviu a revolução como ministro de Desenvolvimento Social e Participação Popular, onde se lhe encomendou a missão social de enfrentar a problemática de pessoas em situação de rua, chamada Negra Hipólita. Durante sua gestão, o número de moradores de rua foi reduzido e várias famílias deixaram a situação de rua. García Carneiro foi eleito governador de La Guaira em 2008 e logo reeleito em 2012 e 2017. Faleceu como um dos governadores mais populares da Venezuela.

Depois do fracassado golpe, García Carneiro apoiou a adoção de novas perspectivas de defesa que preparariam a população para resistir no caso de outra agressão imperialista apontando para uma mudança de regime. Promoveu o conceito de Defesa Integral, que reconheceu lutas históricas significativas. Em suas próprias palavras: “… isso é um conceito revolucionário. O Presidente [Chávez] fala de um novo conceito de defesa da nação que nós também apoiamos. Se baseia em três ideias ou eixos essenciais: o fortalecimento da Força Armada, a união cívico-militar e o movimento popular… É, mais ou menos, a defesa de todo o povo, nas circunstâncias da situação venezuelana. Conhecendo a posição que têm Estados Unidos contra Iraque, com um exército extremamente poderoso, com armas muito sofisticadas; nós estamos prevendo, preparando-nos também para uma luta completamente assimétrica, de tipo irregular em caso de contingência. Não podemos ver desde o ponto de vista de que cada pessoa vai ter um fúsil. O conceito de defesa integral reconhece a necessidade de preparar os reservistas, ensinar o povo a defender-se e treiná-lo diante de uma situação difícil”.

Notas:

  • Em 19 de maio ocorreu em Caracas o primeiro encontro entre o Instituto Simón Bolívar e a Associação Sul-africana de Solidariedade com Venezuela (SASUVE). Ambas as organizações concordaram em estreitar laços e colaborações e em breve anunciarão atividades que serão realizadas no espírito de amizade entre os dois países.
  • Em 20 de maio, celebramos um evento chamado “Palestina: um genocídio continuado”, onde os professores Mohammad Marandi e Ramón Grosfoguel discutiram a agressão atual de Israel contra Palestina. Grosfoguel argumentou: “A crítica ao Estado de Israel não te converte em antissemita nem em racista antijudeu; pelo contrário, te converte em um ser humano digno”. Marandi, ao mesmo tempo, afirmou: “Os meios de comunicação não só criaram uma realidade inversa para o mundo sobre América Latina e o mundo árabe, sobre os países islâmicos, criaram uma realidade totalmente distorcida sobre a Palestina”.
  • No próximo dia 25 de maio, celebramos o dia da Libertação Africana e recordamos quando em 1963 nasceu a Organização para a Unidade Africana em Etiópia. Dessa reunião, recordamos as palavras e a liderança de Kwame Nkrumah de Gana, quem também fez um chamado a unidade contra o colonialismo e o neocolonialismo:

“Devemos nos unir. Sem necessidade de sacrificar nossas soberanias, grandes ou pequenas, podemos, aqui e agora, forjar uma união política baseada na Defesa, Relações Exteriores e Diplomacia, e uma Cidadania comum, uma moeda africana, uma Zona Monetária Africana e um Banco Central Africano. Devemos nos unir para alcançar a plena libertação de nosso continente…

… Tantas bênçãos fluiriam de nossa unidade; tantos desastres devem seguir a nossa contínua desunião, que nosso fracasso para nos unir hoje não será atribuído pela posteridade só a um raciocínio defeituoso e falta de coragem, mas à nossa capitulação perante as forças do imperialismo… “