Uma união cívico-militar para preservar a democracia

Com profunda dor soubemos do repentino falecimento do general Jorge Luis García Carneiro, governador do Estado La Guaira. Em 13 de abril de 2002, durante os difíceis momentos do golpe, parou-se em cima de um tanque em frente as portas do quartel de Fuerte Tiuna e falou aos milhares de venezuelanos que haviam chegado para exigir a restituição do presidente Hugo Chávez. Prometeu lealdade a Constituição Bolivariana de 1999 e ao Estado de Direito, e recordou ao povo que a sua presença ali era fundamental para manter a democracia. A unidade da Revolução Bolivariana integrada por civis e militares, entrou em ação para preservar a democracia.

García Carneiro nasceu numa família operária do setor popular de El Valle, em Caracas, e ingressou na Academia Militar em 1971, onde conheceu o presidente Hugo Chávez. Ascendeu na hierarquia e pouco depois do fracassado golpe de 2002, García Carneiro foi nomeado ministro de Defesa. Também serviu a revolução como ministro de Desenvolvimento Social e Participação Popular, onde se lhe encomendou a missão social de enfrentar a problemática de pessoas em situação de rua, chamada Negra Hipólita. Durante sua gestão, o número de moradores de rua foi reduzido e várias famílias deixaram a situação de rua. García Carneiro foi eleito governador de La Guaira em 2008 e logo reeleito em 2012 e 2017. Faleceu como um dos governadores mais populares da Venezuela.

Depois do fracassado golpe, García Carneiro apoiou a adoção de novas perspectivas de defesa que preparariam a população para resistir no caso de outra agressão imperialista apontando para uma mudança de regime. Promoveu o conceito de Defesa Integral, que reconheceu lutas históricas significativas. Em suas próprias palavras: “… isso é um conceito revolucionário. O Presidente [Chávez] fala de um novo conceito de defesa da nação que nós também apoiamos. Se baseia em três ideias ou eixos essenciais: o fortalecimento da Força Armada, a união cívico-militar e o movimento popular… É, mais ou menos, a defesa de todo o povo, nas circunstâncias da situação venezuelana. Conhecendo a posição que têm Estados Unidos contra Iraque, com um exército extremamente poderoso, com armas muito sofisticadas; nós estamos prevendo, preparando-nos também para uma luta completamente assimétrica, de tipo irregular em caso de contingência. Não podemos ver desde o ponto de vista de que cada pessoa vai ter um fúsil. O conceito de defesa integral reconhece a necessidade de preparar os reservistas, ensinar o povo a defender-se e treiná-lo diante de uma situação difícil”.

Notas:

  • Em 19 de maio ocorreu em Caracas o primeiro encontro entre o Instituto Simón Bolívar e a Associação Sul-africana de Solidariedade com Venezuela (SASUVE). Ambas as organizações concordaram em estreitar laços e colaborações e em breve anunciarão atividades que serão realizadas no espírito de amizade entre os dois países.
  • Em 20 de maio, celebramos um evento chamado “Palestina: um genocídio continuado”, onde os professores Mohammad Marandi e Ramón Grosfoguel discutiram a agressão atual de Israel contra Palestina. Grosfoguel argumentou: “A crítica ao Estado de Israel não te converte em antissemita nem em racista antijudeu; pelo contrário, te converte em um ser humano digno”. Marandi, ao mesmo tempo, afirmou: “Os meios de comunicação não só criaram uma realidade inversa para o mundo sobre América Latina e o mundo árabe, sobre os países islâmicos, criaram uma realidade totalmente distorcida sobre a Palestina”.
  • No próximo dia 25 de maio, celebramos o dia da Libertação Africana e recordamos quando em 1963 nasceu a Organização para a Unidade Africana em Etiópia. Dessa reunião, recordamos as palavras e a liderança de Kwame Nkrumah de Gana, quem também fez um chamado a unidade contra o colonialismo e o neocolonialismo:

“Devemos nos unir. Sem necessidade de sacrificar nossas soberanias, grandes ou pequenas, podemos, aqui e agora, forjar uma união política baseada na Defesa, Relações Exteriores e Diplomacia, e uma Cidadania comum, uma moeda africana, uma Zona Monetária Africana e um Banco Central Africano. Devemos nos unir para alcançar a plena libertação de nosso continente…

… Tantas bênçãos fluiriam de nossa unidade; tantos desastres devem seguir a nossa contínua desunião, que nosso fracasso para nos unir hoje não será atribuído pela posteridade só a um raciocínio defeituoso e falta de coragem, mas à nossa capitulação perante as forças do imperialismo… “

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